Terça, 20 Janeiro 2015 11:39

Considerações sobre o Evangelho Miojo

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Moleque vem de Moloque, deus antigo ao qual sacrificavam crianças (Levítico 20.2-5). Para que a águia viva 70 anos, precisa voar para o alto de uma montanha aos 40 anos e arrancar bico, unhas e penas. Encontraram a Arca de Noé. Os gigantes da Bíblia. Microfones captaram sons diretamente do inferno. O "rá-ti-bum" cantado no "Parabéns pra você" é uma maldição. Empresas como a Procter & Gamble, Disney, Hellmann's e McDonald's financiam a obra do capeta. Uma artista coreana visitou o inferno e fez várias pinturas do que viu por lá. "Visões"... "Revelamentos"... Um carro lotado de jovens bateu e todos morreram, mas uma caixa de ovos no porta-malas saiu ilesa porque um deles respondeu com deboche à mãe aflita que Deus só poderia ir com eles se fosse no porta-malas. Discos da Xuxa tocados ao contrário possuem mensagens satânicas. E, se entramos na polêmica seara dos "Illuminati & Cia.", aí é que as histórias não acabam mesmo.

Logo de início, uma questão importante: por que há tanto terreno fértil para o surgimento de lendas no meio cristão? É próprio de crentes acreditar em tudo o que se ouve por aí?

Este perfil de crente acaba sendo um tipo de místico e supersticioso

Bom... Em tese, não: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (Atos 17.11). O cristão verdadeiro a tudo examina, e sempre de acordo com sua regra de fé e prática: a Bíblia (João 5.39; 1 Tessalonicenses 5.21).

Então, por que as lendas proliferam tanto no meio evangélico?

Um outro evangelho surgiu em nosso meio, e isso faz muito tempo. Seu conteúdo é formado por histórias diversas, sempre com teor apelativo, interessante, chocante e comovente, cuja proposta seja dar base à fé cristã ou alertar sobre os perigos de se ignorar o poder de Deus. É um evangelho de preparo e assimilação rápida, porque o "alimento" é instantaneamente recebido e compartilhado, sem qualquer exame mais acurado à luz da palavra de Deus. Um evangelho mais rápido e prático, sem tanta necessidade de mastigar e digerir. Um evangelho Miojo.

Num primeiro momento, o ouvinte se sente alimentado e fortalecido com o que ouve. Porém, assim como ninguém consegue viver de Miojo a vida inteira, assim também é impossível que um cristão apegado a "fábulas" sobreviva espiritualmente saudável por muito tempo (Oséias 4.6; 1 Timóteo 1.3-4; 4.7). Por mais que a intenção delas seja produzir arrependimento e devoção, seu conteúdo foge do verdadeiro propósito da Palavra de Deus: alimentar de verdade!

Este perfil de crente acaba sendo um tipo de místico e supersticioso, porque dá forte valor àquilo que experimenta sem o correspondente exame bíblico e faz relações de causa e efeito no mesmo caminho. Ficam à cata de notícias que possam de alguma forma ser associadas a trechos do livro de Apocalipse, a fim de anunciar Jesus por meio dessas associações... Precisamos disso? Chega a ser impressionante o nível de profundidade que alguns procuram ter nesse tipo de conteúdo, tornando-se pretensos cientistas de tanto estudá-las - mas, além de não dedicarem tempo para discernir se são mesmo verdadeiras (!), também não dedicam o mesmo tempo à simples leitura bíblica e oração! De fato, o apego do "crente miojo" (digamos assim) a este "conteúdo alternativo" é tal que qualquer evangelização que saia de sua boca será sempre através das histórias que aprendeu... Nunca o "evangelho pelo evangelho". E o grande problema em se fazer isso é que o estrago no resultado final (a saber, quando a história se comprova falsa) simplesmente não compensa o seu uso... Nem como simples alegoria! Antes, traz vergonha para o meio cristão, fazendo-nos passar por tolos. Subnutridos espirituais!

O "crente miojo" é capaz de condenar uma vida ao inferno por causa de um boneco, um desenho, uma música com teor supostamente satânico se ouvida ao contrário... Dá pra perceber a distância do propósito de Deus para com o homem?

E aos que ainda assim querem insistir em defender a veracidade das tantas histórias que ouviram, uma reflexão simples, séria e profunda: vale mesmo a pena alimentá-las e disseminá-las? Faz mesmo toda essa diferença positiva para o evangelho a longo prazo?

Aliás... Alguém aí ainda escuta músicas ao contrário?

Lido 372136 vezes Última modificação em Domingo, 25 Janeiro 2015 16:48
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