Segunda, 18 Maio 2015 00:05

O Cristo que eu espero

Escrito por
Avalie este item
(0 votos)

É natural criarmos expectativas. Elas são uma espécie de "alegria antecipada" e nos dão certa dose de motivação para alcançar o que idealizamos. Quando, porém, as coisas não acontecem conforme o esperado, é também natural experimentarmos certa dose de frustração. Assim, podemos aprender que o melhor é não criarmos muitas expectativas, a fim de minimizarmos o risco de eventuais frustrações... Mas, não nos sentiríamos frustrados se não pudéssemos criar nossas expectativas? Em outras palavras: deveríamos "sonhar baixo" apenas para evitar a eventual possibilidade de sofrimentos e frustrações, e o que viesse a mais seria lucro? Como resolver esse impasse?

Minha sugestão é tratar frustrações como aliadas e não inimigas. Aprender.

"E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram" (Lucas 24.21)

É preciso entender quando nossas expectativas estão erradas e são apenas frutos de nossa ilusão do que nos faria, de fato, felizes

Os dois discípulos a caminho da aldeia de Emaús estavam frustrados. Criaram uma forte expectativa acerca da pessoa de Cristo como libertador do povo, mas sua morte desintegrou neles qualquer esperança e ânimo. Entretanto, temos nessa história uma lição muito importante: ao abrirem seus ouvidos para a palavra de Cristo, seus corações arderam com uma nova e mais esclarecida expectativa (Lucas 24.32). É preciso entender quando nossas expectativas estão erradas e são apenas frutos de nossa ilusão do que nos faria, de fato, felizes.

Que tipo de Cristo você procura? Um Cristo que sempre lhe conceda o que você deseja? Que julgue exemplarmente os que te aborrecem, mas seja compreensivo e tolerante com os seus próprios erros? Que entenda e aceite suas boas ações e sacrifícios pessoais como sinal genuíno e suficiente de amor? Que sempre lhe evite problemas na vida? Que se orgulhe de você pelo conhecimento bíblico e doutrinal que adquiriu? Veja quantas expectativas a repensar!

Criar expectativas mínimas, a meu ver, não é bem a questão e nem "resolve o problema" da frustração. É um "caminho mais fácil", porém não educa. Ora, criamos expectativas acerca de tudo: das pessoas, das situações... Quando tudo é consoante com a nossa forma de pensar atual, sentimo-nos felizes e satisfeitos. Mas... Nossa forma de pensar e ver as coisas não é sempre igual a vida inteira, e são nossas frustrações os possíveis "choques de realidade" que precisamos para expandir nossa compreensão da vida.

Note que não basta viver uma frustração: é preciso "aproveitá-la". Não adianta, por exemplo, viver um evangelho calcificado, em que nos limitamos a cumprir uma rotina religiosa e a aceitar passivamente um conjunto de entendimentos "porque somos crentes"... Quer evangelho mais frustrante que esse? E o que dizer do outro extremo - a saber, aquele que diz que pode tudo porque é livre? Em ambos os casos, é o nosso entendimento que está no centro, e não Cristo. Em ambos os casos, a consciência de uma vida cristã frustrada e incompleta pode ser um passo importante para Ele.

Muito melhor que reclamar da igreja local, do pastor, dos irmãos... de Deus...

Lido 385 vezes Última modificação em Segunda, 18 Maio 2015 00:57