Terça, 07 Julho 2015 17:34

Discussões intermináveis

Escrito por
Avalie este item
(0 votos)

Não importa quantas vezes um mesmo tema polêmico surja numa rede social, e lá teremos milhares de comentários, réplicas, tréplicas, respostas das tréplicas, réplicas às respostas das tréplicas... A quantidade de ofensas e invocações ao nazismo, fascismo e tantos outros “ismos” é incrível – sem falar nos inúmeros erros inacreditáveis de português, os quais parecem ter sido cometidos de propósito. Seja como for, a conclusão final dessas discussões é sempre nenhuma. E, quando o mesmo tema surge outra vez, começa tudo de novo.

Dentro das igrejas, a coisa pode não ser tão diferente assim. Mesmo com o diferencial de haver um só Cristo e uma só Bíblia, a quantidade de conceitos e doutrinas conflitantes em matéria de fé é tal que certos debates acabam seguindo a mesma linha acalorada e inconclusiva que vemos "no mundo".

Toda discussão com alguém é também uma oportunidade de discussão consigo mesmo

Então, como tornar uma discussão mais produtiva, dentro da igreja e também fora dela?

Em primeiro lugar, tenha em mente que toda discussão com alguém é também uma oportunidade de discussão consigo mesmo, capaz de produzir novas compreensões e amadurecimento. Fale, defenda suas ideias, mas também ouça. Sem isso, você estará estacionado no que aprendeu um dia, repetindo palavras sem reflexão. O que parece convicção poderá ser, na verdade, atrofia.

Sobre ouvir: em assuntos polêmicos, algumas pessoas tendem a reagir muito mal quando contrariadas, destilando raiva e/ou testando os limites da paciência alheia, porque o emocional está intrinsecamente ligado ao assunto discutido. Por isso, saiba separar as ofensas do que a pessoa está querendo dizer de verdade, mesmo que de uma maneira bastante desagradável. Examine, retenha o bem e jogue fora o que sobrar (1 Tessalonicenses 5.21-22).

Sobre falar: grandes assuntos não são como provas de múltipla escolha e exigem muito mais atenção e calma. Muitas vezes, simplesmente não temos respostas para tudo, embora queiramos tê-las. Por isso, evite carregar o pesado fardo da certeza absoluta sobre tudo o que há (1 Coríntios 13.12). Você não é Deus. Quando falar, preocupe-se em agregar valor e produzir bons frutos (Mateus 12.33-37).

A discussão, em si, não é o problema. É preferível o interesse em externar ideias à apatia com o que acontece ao nosso redor. O problema é justamente não produzir nada com isso, porque nesse caso a indiferença valeria mais a pena, já que ao menos não estressa (Tito 3.9). Aliás, perceba o viés absolutista e paradoxal das discussões intermináveis: cada parte está mais preocupada em manter sua razão que contribuir para uma solução efetiva a um problema. E aqui reside um incrível paradoxo: por mais que gastemos tempo discutindo esses assuntos, estamos na verdade alheios a eles... E, no final, optamos por deixar tudo como está...

Lido 844 vezes Última modificação em Terça, 07 Julho 2015 17:46