Quinta, 09 Julho 2015 12:21

O poste nos espera, no país do futebol!

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A capa do Jornal Extra é emblemática. Quem não fica estarrecido ao ver as imagens que lá foram apresentadas? Dois negros em situação de horror e maus tratos, sendo que o segundo, amarrado ao poste, estava morto. É triste, devastador, humilhante, bárbaro, "draculesco", e... Só um segundo: De que lado você está? Em que Brasil você mora? Se for no mesmo que o meu, vamos ao ponto.

 

A primeira foto

 

Estamos frente a um Brasil onde 97% eram escravocratas e os 3% restantes nem sabiam o que dizer sobre tal situação pois, na verdade, se a mão de obra negra fosse libertada, o Brasil, que já nasceu quebrado, quebrava. Não que isso justificasse a escravidão, mas o que esperar de um país que nasceu preguiçoso e recebeu em suas terras um rei medroso? Nós já nascemos com a corrupção em nossas veias. Na carta de Pero Vaz de Caminha, ele começa falando sobre o Brasil recém-descoberto e termina pedindo um emprego para seu primo. Onde poderia chegar esse Brasil?

Não existiu na história somente o problema de ser negro, mas o problema de sermos uma nação sem projeto de nação

Não existiu na história somente o problema de ser negro, mas o problema de sermos uma nação sem projeto de nação. Por isso temos problemas em sermos brancos, pardos, índios (ainda existem?), mulatos, chineses, etc. Sim, as pastelarias estão aí e temos que pedir "cáne, quêzo ou flângo!". Isso mostra uma nação que não sabe de onde veio (fomos descobertos por quem?) e não sabemos para onde vamos.

A expressão de dor ao ver uma pessoa negra sofrendo não pode ser diferente da dor de vermos uma PESSOA sofrendo. Não me interessa a cor de sua pele. É gente? Bolas, façamos algo, mas não é assim que funciona desde o tronco. Lá já pensávamos que brancos dominavam e pretos eram sub-raça, e hoje? Nada mudou (Léo Jaime). Negros, brancos, azuis, todos têm que ter DINHEIRO! Se têm, às favas com o resto. No Brasil colonial existiam, segundo Laurentino Gomes, muitos negros ricos que não eram incomodados e tinham ESCRAVOS. O problema não era a cor e sim o pensamento de querer escravizar para mostrar que mudou de classe social. Veja o PT. Eram classe trabalhadora e agora são da classe dos bandidos, alguma dúvida? Qual a cor da empregada doméstica do Ronaldo Fenômeno? Loira? Olhos azuis? Qual é o nome de seu jardineiro? Antonov? Hokhembarck? Não! E por quê? 

Temos a cultura da escravização. Temos, sim, a ideia formada de que pessoas são melhores do que outras. Isso está incrustado em nós, assim como os escravocratas assumidos diziam em 1800: negro não é gente! Hoje mudou: pobre não é gente! O nosso problema não é ser negro, gay, crente, umbandista, satanista, etc. Nosso problema é ser pobre e brasileiro. Veja o menino negro e branco na escola, o que ele quer em sua grande maioria? Ser famoso! E não importa como. Para isso existem as redes sociais e o YouTube. Ali eles se mostram de alma e corpo... Nu. Querem ser vistos e achados por algum dono de revista ou diretor de TV. Já notou que toda menina tira foto fazendo biquinho? Qual o objetivo? Ser vista de forma sensual. Ser famoso e ter grana é o que interessa. Essa é a nossa cultura. Temos que ter para ser, enquanto na Europa você tem que ser para ter.

Nós nos escravizamos quando permitimos que nossos filhos frequentem uma escola pública de péssima qualidade e só nos preocupamos com o resultado – APROVADO – no final do ano. O adolescente não sabe ler ou, se lê, não entende o que leu, mas sabe cantar o funk (que música expressiva...). Sabemos ao primeiro acorde (tem acorde?) que lá vem sexo, dinheiro, carros de luxo e... Nada mais, não existe mais o que oferecer.

O tronco nos espera, senhores. O tronco está sendo polido por nossas próprias mãos. Queremos o que temos e merecemos. Nós somos corruptos! ADMITA! Votamos no candidato que irá asfaltar a nossa rua, quer corrupção maior? A corrupção não vem do governo, ela vem de nossa casa. É lá que ouvimos coisas assim:

 

- Não seja bobo. Não deixa ninguém te passar a perna, seja esperto!

- Deu mole, pega!

- Cola com gente rica!

- Fulano consegue a CNH por R$ 500,00 fala com ele!

- Fulano tá vendendo roupa da Tommy baratinho, ele traz lá do trabalho dele!

- O bonito é para se amostrar!

- O namorado de fulana tem dinheiro e tu namora esse pobretão aí! (a esposa de Joaquim Barbosa ouviu isso)

 

Como não ser corrupto e escravocrata assim?

 

A segunda foto

 

Aqui temos uma mazela avisada. Quem não sabia que o povo iria fazer justiça com as próprias mãos? Você sabe quantos governos do Rio de Janeiro foram sustentados por traficantes, empresários, etc.? O que esperar disso senão violência? Dados do IPEA mostram que o menor infrator é negro, do sexo masculino, tem de 16 a 18 anos, não frequenta escola e vive na miséria. É claro! Uma constatação simples: todo bairro nobre no Rio de Janeiro é cercado por um bolsão de miséria e para quê? Para sustentar os escravos que limpam as casas e servem as mesas dos senhores dos bairros nobres. A Barra da Tijuca tem o Rio das Pedras, não é mesmo?

Com isso o que temos é um governo que não quis cuidar do povo e o abandonou, privilegiando o empresário que o financiou na campanha. Escolas não foram criadas, professores não foram incentivados, a família não conseguiu segurar o ímpeto da criança que hoje não respeita mais os pais já aos 2 anos de idade. Já não se consegue fazer uma criança ficar calada em um culto... Salinha neles! E na salinhas as professoras se perguntam o que fazer com crianças que dizem "vou falar para meu pai que você me bateu!"...

Estamos sem freio. Nossa sociedade está sem rumo e nosso governo dando socos no ar. Mas, acalmem-se... Em breve chega o carnaval. Aí a prefeitura tem dinheiro para as escolas de samba, para a apoteose e para os turistas que vem ao Brasil atrás do turismo sexual que é vendido em nossos cartões postais. Já viu um? Morenas e loiras deitadas de fio dental, de bruços, na praia do Leme. Esse é o nosso Brasil. Já viu cartão postal com a foto do Corte 8, Lote 15, Covanca, Gogó da Ema? Esse é o nosso Brasil, senhores.

Dos infratores que estão sendo presos aos postes e estão indo para as medidas socioeducativas quando menores, diz o IPEA:

 

- 95% são do sexo masculino

- 66% vivem em famílias extremamente pobres

- 60% são negros

- 60% têm de 16 a 18 anos

- 51% não frequentavam escola na época do delito

 

As principais infrações cometidas pelos menores são roubo e tráfico de drogas. Menos de 10% cometem homicídios ou latrocínio, que é o roubo seguido de morte. As infrações estão distribuídas assim:

 

- 40% deles respondem por roubo

- 23,5% por tráfico de drogas

- 8,75% por homicídio

- 5,6% por ameaça de morte

- 3% por tentativa de homicídio

- 3,4% por furto

- 2,3% por porte de arma de fogo

- 1,9% por latrocínio

- 1,1% por estupro

- 0,9% por lesão corporal

- 0,1% por sequestro

 

Em 2013, havia 23,1 mil privados de liberdade. No total, 64% estavam cumprindo medidas de internação - "a mais severa de todas", segundo o Ipea. "Isso indica que a aplicação das medidas não corresponde com a gravidade dos atos cometidos", afirmaram as pesquisadoras Enid Rocha e Raissa Menezes, do Ipea. Os estados com mais adolescentes privados de liberdade são: São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará. Concluímos que "se é fato que os jovens excluídos enfrentam maiores dificuldades de inserção social (o que amplia as chances de se inscreverem em sua trajetória de cometimentos de atos reprováveis), também é verdade que os jovens oriundos de famílias mais abastadas se envolvem tão ou mais com drogas, uso de armas, gangues, atropelamentos, etc. que aqueles. A diferença é que esses possuem mais recursos para se defenderem, sendo mais raro terminarem sentenciados em unidades de privação de liberdade, ao passo que os adolescentes mais pobres, além de terem seu acesso à justiça dificultado, ainda são vítimas de preconceitos de classe social e de raça, comuns nas práticas judiciárias".

Veja que o problema não é apenas ser negro, mas não ter acesso à justiça e à informação. Não temos que privilegiar a cor e sim a inteligência. Se tivermos as escolas que temos e elas forem boas, todos serão atendidos e se defenderão. A verdade é que temos a cultura de que desejamos que o Estado nos defenda sempre, mas precisamos entender que, se nós conhecemos, temos informação e somos seres pensantes e não levados pelos meios de comunicação e jornais (como o Extra, que é da Globo), entenderemos que não temos que lutar contra nós mesmos e sim contra esse sistema escravocrata.

Por fim, quem aqui nunca pensou em se dar bem? Você é negro ou branco?

Lido 838 vezes Última modificação em Quinta, 09 Julho 2015 12:52