Quinta, 20 Agosto 2015 01:11

Sobre confissões

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Não cheguei a ler o polêmico livro “Morri Para Viver – Meu Submundo de Fama, Drogas e Prostituição”, de Andressa Urach. Li apenas a proposta do livro e a reação de algumas pessoas através de seus comentários pela internet, e é sobre isso que gostaria de expor alguns pensamentos. De modo geral, as pessoas não reagem com maturidade a confissões e pedidos de perdão. Por quê? 

Primeiramente, confessar erros requer uma compreensão de que o que se fez foi errado. Pode parecer óbvio, mas não é! Nossa tendência é sempre encobrir ou justificar nossas ações, usando mecanismos rudimentares de defesa cujo vício em seu uso acaba interferindo em nosso crescimento e amadurecimento pessoal: negamos o erro, tentamos transferir a culpa para outrem, alegamos desconhecimento do correto ou impossibilidade de ter agido de outra maneira... Mentimos. A nós e aos outros.

O medo supõe castigo

Uma consciência desperta e ativa produz mais do que simplesmente peso. Ela esvazia nossas defesas, rompe cascas. Faz-nos enxergar que somos tão humanos, frágeis e limitados quanto os outros. A humildade acorda e lança fora a arrogância, agora inútil.

Há ainda uma última barreira a ser vencida, a mais fundamental de todas: o medo. O medo, eis o grande motivo pelo qual escondemos nossos erros e evitamos a confissão:

Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: Onde está você? E ele respondeu: Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi (Gênesis 3.9,10)

Às vezes até entendemos que fizemos algo errado, mas nos borramos de medo. E nos escondemos, porque o medo supõe retaliação ao que fizemos de errado (perceba que eu disse "retaliação" e não "disciplina"). Mas existe algo capaz de vencer o medo:

No amor não há medo; pelo contrário, o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor (1 João 4.18)

É por isso que as pessoas, em geral, não reagem bem a confissões: quem possui dificuldades em lidar com os próprios erros, dificilmente saberá lidar com os erros dos outros. Sobram críticas, sobram medo e vergonha, mas falta amor. Quando a Bruna Surfistinha lançou sua biografia, não vi ninguém criticando: pelo contrário, várias pessoas consumiram a sensualidade de seu material e até foram ao cinema ver cenas quentes com a Deborah Secco. Dá até pra imaginar alguns lamentando que Raquel Pacheco tenha deixado a vida de garota de programa... Mas, e quanto a Andressa Urach?

Fracassada, sem amor próprio, desejosa de continuar aparecendo... Analfabeta, ridícula, nojenta, aberração. Os julgamentos são vários, prolatados pelo impiedoso e covarde tribunal dos homens. Não quer ler o livro? Simples: não compre. Ninguém é obrigado, e eu também não pretendo fazer propaganda alguma do material. Se ela está usando seu passado para se promover ou fazendo o que quer que seja, seus frutos vão aparecer  assim como estes estão aparecendo agora (Lucas 6.43-45).

Por causa deste cenário infeliz, externar um arrependimento sincero requer boa dose de coragem. Mesmo nas igrejas, é um tanto incomum ver isso. Confissões sempre surgem da boca de quem veio do mundo – mas, uma vez membro de uma igreja, esse exemplo de superação tão incrível tende, aos poucos, a arrefecer. Por que isso acontece é tema do próximo artigo.

Lido 401 vezes Última modificação em Domingo, 23 Agosto 2015 12:55