Segunda, 02 Novembro 2015 11:49

Futilidade

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Você se lembra das antigas correntes de e-mail? Piadas, boatos e pedidos de compartilhamento apareciam em nossa caixa de entrada de tempos em tempos, ciclicamente, porque sempre era novidade para alguém. Aí surgiram as redes sociais, onde esse mesmo tipo de conteúdo se repete, de novo e de novo. Surgiram também as "tretas", discussões intermináveis acerca de temas polêmicos ou fofocas da vida alheia, geralmente repletas de agressão verbal, com zilhares de curtidas e outro tanto de compartilhamentos e comentários sem fim... Existem os "mendigos de likes", os ativistas de todo gênero... Enfim, a impressão que dá é que você pode passar dias ou meses sem acessar sua rede social preferida que, quando voltar a ela, verá mais ou menos as mesmas coisas que viu da última vez em que esteve lá. Ainda assim, entretanto, existe uma tendência da maioria a acessá-la todos os dias, ainda mais com o advento dos smartphones... Mesmo que seja para ficar só olhando.

Mas então? As redes sociais são fúteis, coisa de gente desocupada? Bem, eu diria que "tornaram-se". Assim como nossos dias, elas são o que fazemos delas.

Tudo isso sempre existiu, e continuará existindo enquanto puder proliferar-se nas relações humanas a ponto de substituí-las

A futilidade sempre existiu. O discurso de ódio, a vontade de ganhar notoriedade, a fixação em transmitir uma imagem do que não é para ser admirado... Tudo isso sempre existiu, e continuará existindo enquanto puder proliferar-se nas relações humanas a ponto de substituí-las. Redes sociais tornaram-se, portanto, apenas a "roupagem do momento" para esse fenômeno cíclico - tão cíclico quanto os "trending topics" nossos de cada dia.

Perceba que, se os valores permeados fossem outros, a coisa poderia ser bem diferente.

Eu diria que, num balanço geral, os adultos de hoje não são melhores que os adultos de ontem. Quando se fala em progresso humano, o primeiro pensamento que nos vem à mente é justamente o avanço tecnológico que conquistamos e com ele todo o seu conforto material; experimente removê-lo. O que sobra?

O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.

Haverá algo de que se possa dizer: Veja! Isto é novo? Não! Já existiu há muito tempo, bem antes da nossa época (Eclesiastes 1.9,10)

Sinto-me tomado por um misto de espanto e tristeza ao perceber que "copiamos" os mesmos conflitos, erros, argumentos e neuras de nossos pais, e hoje fazemos o mesmo esforço insentido que eles fizeram para "colá-los" em nossos filhos - e ainda alimentamos a mesma esperança de que eles sejam melhores que nós!

A vida atrás de uma tela é sempre mais fácil, fútil e igual todos os dias, mas a realidade é bem mais desafiadora. É tempo de mudanças e quebras de ciclos, e isso significará primeiramente um ganho pessoal. Experimente.

Trará mais benefício que qualquer avanço tecnológico.

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