Quinta, 17 Março 2016 01:55

O preletor de fora, a prata da casa e o ouvinte

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Posso muito bem admoestar o ouvinte que se apega às palavras que lhe agradam e despreza as que lhe incomodam, ou o que a tudo ouve mas nada aplica em sua vida prática... Porém, um fato: não posso constrangê-lo a preferir um preletor local em detrimento do visitante unicamente por ser "prata da casa". É um argumento fraco, além de estimular a ideia de disputa entre categorias de preletores pela atenção do público (como se uma pudesse ser melhor que a outra). Pior: essa abordagem coloca o ouvinte como mero espectador/consumidor de produtos, diminui o valor do preletor visitante e tenta dar alguma "vantagem de consideração" ao preletor local para torná-lo competitivo à base de colher de chá... Ao final, a importância dos três é inadvertidamente depreciada.

A preocupação é pertinente porque infelizmente existe, sim, essa ideia de que o preletor de fora é sempre melhor e fala mais bonito que o de casa (vide Lucas 4.24). Entretanto, melhor que favorecer um preletor em detrimento do outro é destacar o valor de ambos e trazer para o centro da discussão o elemento realmente mais importante, que é o ouvinte. Esta é a proposta deste breve artigo.

Melhor que favorecer um preletor em detrimento do outro é destacar o valor de ambos e trazer para o centro da discussão o elemento realmente mais importante, que é o ouvinte

O preletor de fora é uma reflexão independente, uma perspectiva diferente, uma nova experiência. Alguém fora de nosso convívio, que pode ser muito efetivo em momentos específicos. Esta é sua importância. Entretanto, vale salientar que ele é também prata de alguma casa (vamos desconsiderar os itinerantes aventureiros, sem vínculo com ninguém).

O preletor local tem um diferencial notável, que é a oportunidade de ensinar além das palavras. É alguém dentro de nosso cotidiano, bem mais observado que um visitante em sua comunidade local e que, por isso, pode ser muito efetivo mesmo sem querer (e que, naturalmente, pode vir a ser convidado a pregar em outro lugar). Esta é sua importância.

E o ouvinte?

Enquanto o ouvinte for mera plateia, irá sempre atrás do sermão mais bem elaborado e elegante, porque isso o satisfaz e ponto final; o aroma é suficiente. Se, porém, for mais que espectador, encontrará alimento onde a maioria nada vê, porque tem fome de crescimento. Observe que, em ambos os casos, não faz diferença se o preletor é local ou de fora. Logo, o ouvinte precisa ser estimulado por ambos a não ser um mero consumidor de sermões, mas pensador e praticante do que ouve e lê (Atos 17.11; Tiago 1.22).

Observe mais: tanto a prata da casa quanto o preletor de fora entregarão apenas a mensagem que de Cristo receberam, estejam onde estiverem. Não há motivos para considerar "banquete" a palavra de um preletor visitante e "feijão com arroz" a palavra de um preletor local, porque nesse caso o que é banquete para um seria feijão com arroz para o outro... Então, qual a diferença entre ambos na ministração do sermão? Nenhuma senão o referencial, que é o ouvinte. E se estendermos o conceito de ouvinte para alguém que não pertence a nenhuma igreja, aí é que não tem diferença mesmo.

Lido 764 vezes Última modificação em Quinta, 17 Março 2016 11:50