Terça, 20 Janeiro 2015 16:02

Não, não sou Charlie! Non, je ne suis pas Charlie!

Escrito por
Avalie este item
(0 votos)

O mundo está estarrecido com os acontecimentos terroristas na França, mas quem não sabia que essa era uma "guerra avisada"? Será que de verdade alguém não estava vendo que já havia uma guerra sendo travada no campo da falta de respeito? Je le savais (eu sabia).

Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio (Atos 17.23)

Car en passant, et en regardant vos divinités, je ai trouvé un autel avec cette inscription: A un dieu inconnu. Ce, alors, que vous adorez, ne sachant pas, est ce que je vous annonce. (Actes 17.23)

Onde eles desejavam chegar?

O tom das charges do jornal não apenas é jocoso e impertinente, mais também é degradante e desrespeitoso em último grau seja a qualquer religião ou sociedade. Para um cristão ver esse desenho ao lado é aviltante. A foto mostra Deus sendo penetrado por Jesus que por sua vez é penetrado pelo Espírito Santo. Qual a motivação? O que se ganha com isso? Onde eles desejavam chegar? A verdade é que nós não colocamos bomba em lugar nenhum nem invadimos supermercados especializados em comida kosher para fazer barulho para o mundo ver nossa indignação.

Os cartunistas do citado jornal brincaram com algo sério – o radicalismo religioso. Eles fizeram o que aprendemos na infância a não fazermos – brincar com fogo. No caso deles o fogo foi real e trouxe morte. É justificável? Não. Não é. O que se precisa dizer, e estou dizendo, sem meias palavras, é que muita gente tem sido desrespeitada por esse pasquim e os que se manifestaram o fizeram pelo terror. Alguns poderiam se manifestar não comprando o impresso, falando mal dele, seja nas Sinagogas, Mesquitas, Igrejas (Templos), Terreiros ou em qualquer lugar que uma certa religião se reúna, mas o fato é que no vespeiro que eles colocaram a mão fez jorrar sangue.

Depois dos ataques o que me deixou mais apreensivo foi assistir uma fila imensa de pessoas querendo comprar o jornal com a capa que resultou no incidente. O que esse povo deseja? Mais violência. Sim, pois quando acontece um assassinato a primeira medida é a de evitar que mais assassinatos aconteçam erradicando suas motivações. Na França foi diferente, as pessoas desejavam ter a motivação nas mãos. Quão pobres são esses franceses, até porque já disse Kiko Tozatti: A maior pobreza de um ser humano é a falta de riqueza no espírito.

Não acredito que essas mortes foram merecidas, longe disso, mas acredito que as pessoas devem ser responsabilizadas pelos seus atos e não podemos permitir que surjam heróis dessa patuscada feita pelos cartunistas mortos. Erraram, e erraram feio. Que outros não morram por isso, mas quero lembrar: Aqui no Rio de Janeiro também estamos sofrendo de ataques com mortes. Não temos segurança, hospitais, escolas etc. E olha que ninguém colocou uma bomba, apenas estamos apertando uma tecla e ouvindo um sinal sonoro e vendo a tela dizendo FIM e pronto – VOTAMOS ERRADO!

Lido 685646 vezes Última modificação em Terça, 20 Janeiro 2015 17:15